
By Leonardo Zelig
Não tenho o costume de freqüentar raves ou festas enormes no qual a única atração é um DJ internacional da moda. Mas, para fugir da rotina, decidi ir a um evento desse gênero para avaliar como funciona a interação homem/mulher em meio ao caos do batidão eletrônico de um DJ pederasta francês que esta na moda.
Ao chegar ao recinto me deparo com garotas de seus 18-19 anos. Pelo fato do evento ser “Open bar”, sabia que o ambiente seria de promiscuidade e de altas doses de loucura. Pois bem, lá pela terceira música famosa do maldito DJ (não consigo entender o porquê das pessoas pagarem caro para ver um homem em cima de uma mesa de som, mixando e manipulando músicas) a cena do local me remontava ao Inferno desesperador de “Ensaio sobre a cegueira”! Eram pessoas tateando umas nas outras porque não enxergavam nada bêbadas, outros vomitando em rodas de amigo, garotas desmaiadas em meio à pista de dança e a escuridão devastadora que recaia sobre o espaço mal iluminado. Éramos seres humanos reduzidos às atividades mais primitivas, quais sejam: comer, beber e transar.
Diante dos banheiros químicos frequentes nesses ambientes, avistei uma moça de seus 27 anos que estava só. Porém, o que mais me chamou a atenção nela era sua semelhança física com a atriz global Cristiane Torloni. Decido contar isso para ela:
-Olá, tudo bem com você? – Pergunto educadamente.
-Tudo bem!
-Eu tava por aqui e te avistei em meio à multidão. Você parece muito a Cristiane Torloni, sabia?
-Queeeeeeeeeemmmmmmm? – Pergunta ela cheia de dúvidas.
-Cristiane Tornloni!A atriz!Ela faz uma porrada de novelas. Super bonita, sofisticada...
-Eu não assisto novelas.
-Mas é de se espantar que você não a conheça. Mesmo quem não assiste novela sabem quem ela é!
-Não sei quem é.
-Não tem problema!Parecer com ela é um grande elogio de qualquer forma. Ela é uma mulher de personalidade, extremamente sensual, muito atraente... Que nem você!
-Muito obrigada, querido!Sabe, você foi o primeiro cara que me abordou de forma criativa!Os outros já chegam me pegando assim – Ela fala e demonstra com suas mãos em meu corpo como os caras chegam nela.
-OPA!OPA!ME ASSEDIANDO!!- Falo brincando.
-Que isso, querido!Você entendeu... hehe – Desconversa ela bem humorada.
-Fora não conhecer a Torloni, o que uma mulher interessante como você faz aqui sozinha?Você aprecia esse DJ maluco?
-Eu gosto, cara!É muito raro eu sair... Prefiro ficar em casa assistindo Boris Casoy.
-Que peculiar, Torloni!Devia sair mais então!
-Sabe, estou cansada desses programinhas de Brasília. São sempre iguais e um fracasso na maioria das vezes! Bem, o papo tá bom, mas vou voltar la pra perto do DJ pra ouvir minhas músicas preferidas. Aff...lá só tem casal!!
-Pois então, não quer voltar lá como UM casal? –Dou minha “cantada James Bond” pra cima dela.
-Puta merda, cara!Você chega muito bem!Até me arrepiei!! – Fala ela mostrando o braço arrepiado!
Então...hehe – Fico sem graça.
-Olha só!Eu acabei de terminar meu namoro e estou ainda fragilizada. Quero curtir um pouco minha individualidade, sabe?Entrar naquela multidão cheia de casais e ficar só!Sozinha apenas apreciando o DJ tocar... Você me entende?
-Sem dúvida!Tá liberada!Mas, antes me deixa seu contato!- falo eu já pegando o celular.
-Não pegue seu celular, querido. Se eu valer mesmo a pena você se lembrará do meu número de cabeça mesmo: 86473524263523425637353536237.
Foi nesta cena, muito semelhante ao fantástico filme Woody alleano “Match Point”, que terminou meu contato com Cristiane Torloni. Em busca de momentos de individualidade, a moça, como uma brisa sorrateira, me deixou de mãos abanando sem nem sequer me provar. Creio que a abordagem foi apropriada, ela gostou de meu papo, se arrepiou com minhas investidas, porém, assim mesmo, não foi o suficiente para que eu a ganhasse. As brasilienses são um enigma!Se você é troglodita, não serve, e se você é apenas o cara certo no momento certo elas querem curtir a individualidade delas...
Cristiane, Cristiane!Sempre tempestuosa e cheia de personalidade...Será que um dia poderei colar meus lábios em seus?